Viagens

Beira. Um dia volto e faço aqui um vinho!

Quando regresso lembro-me bem do cheiro da terra, terra fresca, acabada de lavrar. O meu avô Zé era o “ganhão”, como se dizia naquele tempo, porque tinha a única junta de bois da aldeia e ganhava a vida a fazer a lavoura aos outros agricultores aqui da zona de Meimão, Penamacor, onde passei grande parte da minha infância.

Eu, um miúdo nascido em Lisboa, cá andava por vezes a comandar os animais, como se o meu avô Zé não tivesse aquilo tudo controlado… Lembro-me de cada cheiro como se fosse hoje. De certeza que anda aqui por Meimão a explicação para o facto de um dia ter entrado em agronomia e me ter tornado enólogo. Aqui vivia-se exclusivamente da terra, ela dava-nos tudo, as couves e batatas, os feijões e fruta. E o vinho, claro!

O meu avô bebia o que vindimava e nos dias mais quentes a minha avó fazia-me um refresco de vinho para matar a sede, água fresca carregada de açúcar, com um pingo de tinto para dar cor, coisa que a minha mãe, claro, não achava piada…

Volto, sempre que posso. Parte do que sou anda por aqui. Tenho que voltar a sério, voltar a esta terra. É uma dívida que tenho de pagar, um dia faço aqui um vinho…