Viagens

ProWein. A volta ao Mundo do vinho em apenas… 3 dias!

ProWein

Se houvesse uma forma de dar a volta ao mundo do vinho em apenas três dias, então a viagem seria feita na ProWein. Vejamos: temos a Austrália, o Chile, a Nova Zelândia, a Argentina, a África do Sul, os Estados Unidos… temos Portugal, claro, e a Espanha, a Itália e a Grécia, e tudo o que interessa na Europa, e depois ainda o Canadá, e mais, e mais… Nunca há viagem definitiva ao mundo do vinho, e ainda bem, mas se formos à ProWein fazemos pelo menos um ensaio – desta vez, na ProWein 2019, até deu para provar um Sauvignon Blanc sul-africano de 2019 (não, ninguém se enganou no ano).

 

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A ProWein é já ali em Dusseldorf, na Alemanha, e institucionalizou-se como a feira obrigatória para o sector, desde logo, para os produtores mostrarem as novidades aos agentes comerciais. Vai-se lá para trabalhar, é certo, mas o melhor é que é igualmente uma oportunidade para se descobrir o muito – e bom – que se faz pelo por esse mundo fora. E eu lá vou praticamente todos os anos, aproveitando ao máximo os intervalos na habitual agenda de reuniões, para vestir a camisola de winelover-espião e ir à procura dos vinhos que não tenho oportunidade de provar todos os dias.

 

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A questão é o que provar! Facilmente podemos ser engolidos pela imensa oferta, mas é só uma questão de fazermos uma boa programação do que queremos e o sucesso da viagem está garantido. Eis por onde me escapei – e mais me surpreendi – nesta ProWein 2019:

Os Riesling do Mosel. Que maravilha. Nenhuma casta no mundo será tão versátil, as expressões destes vinhos podem ser fantásticas, mas junto ao rio Mosel os Riesling conjugam mesmo a elegância dos mais doces e a finesse dos mais secos. São vinhos sempre diferentes, complexos e cheios de vida. O destaque da prova deste ano foi um 1989 Kaseler Kehrnagel Riesling Beerenauslese (sim, os nomes alemães são mais complexos que o próprio vinho…) apresentado por Michael Weber, técnico na Reichsgraf von Kesselstatt (fixaram o nome?). Dei um salto também ao encontro do Matthias, um amigo que produz igualmente uns Riesling extraordinários, e que se perdeu de amores pelas castas Arinto e Fernão Pires bem portuguesas, ao ponto de as plantar por lá, no Mosel!!!

 

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Os vinhos vulcânicos do Etna. Que experiência! Sou um apaixonado por vinhos que nascem nas ilhas vulcânicas! Fixem este produtor, Tenuta delle Terre Nere, porque tem vinhos de classe mundial, cheios de originalidade e de carácter, expressões fantásticas do terroir vulcânico onde estão inseridos. Perco-me em todos, nos brancos salgados e minerais, no rosé fresco e elegante, mas principalmente nos tintos. E aí destaco um: o Prephylloxera ‘La vigia di Don Peppino’, um tinto do outro mundo!

 

ProWein

 

Vinhos de Washington State. Normalmente quando se fala de vinhos americanos pensamos logo na Califórnia, nas regiões de Napa e Sonoma. Mas há mais, muito mais para descobrir. Confesso que tenho um carinho especial pelos vinhos americanos, fruto da temporada que lá passei em 2003. Adoro os vinhos do Oregon e foi com enorme curiosidade que fui provar alguns do estado vizinho, Washington. Mais um mundo para descobrir! Os vinhos da região de Walla Walla (impossível não adorar este nome), ficam situados num vale desértico entre duas grandes cordilheiras montanhosas. São vinhos feitos em altitude e com solos de origem vulcânica (lá está, mais uma vez…). Sugiro a adega L’Ecole, com especial destaque para os Single Vineyard, como o Perigee. Um tinto bordeaux blend, cheio de raça e de concentração, mas com muita finesse no fim.

 

Os vinhos da Rioja. Ir à ProWein também é revisitar os amigos. E eu lá fui ao encontro do David Marcos, um enólogo na Rioja que faz alguns dos melhores vinhos que já provei: o branco Montes Obarenes, um Viura do outro mundo e, claro, o Pancrudo, um tinto de Granacha que é dos meus preferidos.

 

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Grécia. Sempre que o tempo permite, não venho embora sem fazer uma incursão na Grécia, para provar os fantásticos Assyrtiko de Santorini. Sou um apaixonado por estes brancos, salgados, minerais e profundamente marcantes, vinhos que me fazem viajar. Nome a fixar: Domaine Sigalas. Fantásticos!

Champagne. Por fim, tenho sempre que ir aos champagnes, claro! Porque adoro champagne, porque há sempre surpresas além dos nomes óbvios, e porque em plena ProWein temos que espreitar a mais rica região vitivinícola do Mundo, onde os mais fortes mostram o exemplo e a capacidade de investimento. Por ali, pisam-se alcatifas brancas em stands luxuosos, que apontam logo ao que vamos: classe pura! E para mim, classe pura é despedir-me da ProWein com um enorme Cuperly, cheio de complexidade e de volume.

 

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Foram apenas três dias. A boa notícia é que para o ano há mais!